Quando eu vivia entre os homens, eu aprendi muito com as experiências humanas. Com as trocas, com os relacionamentos e com as pessoas.
E descobri, na vida espiritual, que esta é a maior dádiva. Aquilo que, enquanto encarnados é o maior problema, no plano espiritual é tido como a maior dádiva.
Aprender com as pessoas, aprender com os relacionamentos, aprender com o trabalho, com os colegas... Aprender com aqueles que você ama e aprender com aqueles, que por um motivo ou outro, há um desencontro, uma incompatibilidade.
Nos seus relacionamentos, vocês têm os maiores desafios e as maiores oportunidades de crescimento e lapidação do ego, da vontade, do sentimento e do espírito.
Não tenham medo de enfrentar as mazelas com as pessoas. As Almas se encontram para uma ensinar a outra.
Vocês tem uma idéia errada do amor. Vocês tem uma ideia distorcida do romance. Porque o amor é aquele que faz você crescer. E é a primeira centelha que deve nascer em cada um. Vocês buscam no outro o amor que deve cultivar em vocês. E é daí que nasce todo o sofrimento. O outro é apenas o outro e o amor é você. O amor está no seu coração.
Por isso, sábio, é aquele que é capaz de amar várias pessoas ao mesmo tempo. Sábio é aquele que se desprendeu da necessidade, da angústia, de apenas um amor romântico.
Vocês podem ter nessa vida, muitos amigos, irmãos. E podem sim ter, a bênção, a graça, um encontro espiritual com alguém especial, com alguém que você possa trocar intimamente, outro tipo de experiência. Mas esse não deve ser o foco da sua existência.
Viva por amor. Viva para o amor. Viva para os aprendizados. Viva para a descoberta de você mesmo.
Eu vivi numa cidade, onde as pessoas falavam mal uma das outras. E era uma cidade pequena, com poucos habitantes, com muita pobreza, com muitas dificuldades. Eu era uma mulher.
Eu caminhava todos os dias com aquelas mulheres. Eu conhecia todas elas pelo nome. Sabia quem era a mãe, o pai, a família... Sabia o que tinha na casa delas e o que não tinha. E ainda assim, com tanta convivência, com tantos dias iguais passados juntos... Aquelas pessoas conseguiam falar mal uma das outras. Conseguiam invejar, um pequeno sucesso, uns dos outros.
E quando vinha a época do frio, que seria tão mais fácil se todo mundo se ajudasse, colaborasse, trocasse. Cada um se fechava no seu mundo. Cada um se escondia na sua pequena propriedade, guardando a sua pobreza como tesouros.
Aquilo tudo, trouxe muita tristeza ao meu coração. E por mais que eu elevasse a minha alma em preces, quando eu voltava para conviver com aquelas pessoas... A minha vontade era também criticar. A minha vontade era também julgar. A minha vontade era corrigir todas aquelas pessoas, dizendo pra elas que elas estavam erradas. Dizendo que não deveria ser assim. Dizendo que eu tinha, nos meus exercícios espirituais, encontrado um mundo em que as pessoas compartilhavam. Eu queria dizer tudo isso pra elas.
Só que eu sabia que não teria nenhuma aceitação. Que ririam de mim, que os velhos mandariam me calar.
Então o que fiz? Não disse. Não expressei. Porque, sabia que a minha expressão soaria como ruído e não como palavras.
Aprendi o silêncio. Aprendi a observar muito mais do que falar. Aprendi a ouvir, muito mais do que expressar pensamentos e palavras.
Foram grandes os aprendizados que tive, nesse intercambio com as pessoas. Aprendizados que quando eu dormia, era levada para um nível espiritual, que tive a graça de me lembrar. E lá me diziam assim: – Não se importe. Não sofra. Você está aprendendo. E aquilo aliviava a dor que eu carregava no coração. Muitas vezes fui repreendida. Espíritos de Luz diziam pra mim:
– Não julguem! Não julgue aqueles que estão errados!
Todas as vezes que você julga alguém, você se prende ao julgamento. Você se prende a experiência e terá de novo, e de novo, e de novo que passar pelo crivo daquela pessoa.
Terás que enfrentar, àqueles que mais você critica.
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